Redefinir o caminho

Sabem, quando estamos perante o computador com o ficheiro em que estávamos a trabalhar aberto, sem nada a acontecer ou com uma bolinha a rodar sem parar ou o rato trancado… e nós não queremos admitir que bloqueou? Sabem, quando ficamos a olhar para o ficheiro durante uma eternidade, no fundo sabendo que já não tem hipótese nenhuma, mas continuamos a aguardar na esperança de que o computador “esteja apenas a pensar” e que ainda se poderá restabelecer? Por vezes até vamos dar uma volta, fazer um café (porque achamos que ser resiliente é bom)… mas voltamos ao lugar e confirmamos que “nãããã… nada feito.” Isso é um sinal de que algo não está bem – o computador não está bom, o programa foi mal instalado, tem bugs ou fomos nós que fizemos asneira. Isso é sinal de que vamos ter que tomar medidas.

Às vezes a vida dá-nos sinais e nós não vemos ou não queremos ver. Às vezes achamos que temos que ser resilientes e continuar a bater na mesma tecla. E, de tanto esforço, sentimo-nos tontos, ficamos cegos e não vemos o essencial. Desgastamo-nos, sentimo-nos presos, perdidos, confusos e frustrados. Cansados, deixamos que a vida nos gira, em vez de sermos nós a gerir a nossa vida. Isso não é bom. Não sei quanto a vocês, mas eu não gosto dessa sensação. Não ter poder sobre a minha vida, não ter prioridades definidas, não ter a certeza do caminho que estou a seguir, deixa-me muito desconfortável e desorientada, e isso é muito cansativo.

2018 foi isso tudo, foi um ano muito pesado para nós. Muitos de vocês não saberão, mas eu e o Marcelo gerimos uma pequena empresa, um atelier de design. A Nósnalinha fez 11 anos o ano passado e, com muito trabalho, muito sacrifício, lá passou (e ultrapassou) o mesmo período de crise que todas as empresas (e famílias) passaram. Nessa altura, impedidos de remar contra a maré, deixámo-nos ir, e os últimos anos foram feitos de adaptação às circunstâncias, muita flexibilidade e aceitação de condições, muito “jogo de cintura”.  Em 2018, supostamente terminada a tempestade, estávamos ao sabor da maré e das imposições do mercado e a ir numa direção que não nos servia. Os nossos clientes estavam diferentes, pediam novas respostas e o mercado em que nos movíamos já não era mais o mesmo. Confusos e cansados, percebemos que era preciso voltar a acertar o rumo ou, voltando à analogia do computador (que tem mais a ver connosco) fazer reset ou, melhor ainda, apagar os vírus instalados. Só que, na vida real, fazer reset não é só carregar no botão e apagar vírus dá cá um trabalho! Há que redefinir tudo! É preciso encontrar novos objetivos, clarificá-los muito bem, entender muito bem o percurso feito até aqui e ter uma boa visão do percurso que se pretende continuar a fazer. É preciso ter uma estratégia. É preciso esclarecer muito bem o que estamos dispostos a fazer e do que estamos dispostos a abdicar e é preciso ganhar coragem para dizer NÃO ao que não estamos dispostos a aceitar.

No meio de tudo isto – e agora vai soar a psicologia barata, mas eu acredito firmemente nisto – é preciso perdoar-nos e perdoar o mundo. A certa altura, há que dizer a nós mesmos que,  certo ou errado, fizemos o melhor que sabíamos e que, a bem ou a mal, as circunstâncias da vida trouxeram-nos até este ponto e ensinaram-nos tudo o que sabemos. A partir daqui temos que trabalhar para a mudança.

Este foi o artigo mais difícil que escrevi em três anos. Este texto esteve semanas à espera de ser escrito. Teve dezenas de parágrafos escritos, reescritos e apagados. Ainda assim, espero que me esteja a fazer entender.

Continuando…
enquanto a empresa passava por uma crise de identidade, este blog afirmava a sua própria identidade e 52 começava a aparecer como marca. A partir do blog começaram a aparecer novos projetos, diferentes, ainda assim possíveis de enquadrar no âmbito da atividade da empresa e nós assim o fizemos. Nósnalinha, 52,… estava criada a confusão e foi aqui que percebemos que estava na hora de ter uma estratégia.
Criar uma estratégia foi uma tarefa duríssima! ESTÁ a ser uma tarefa duríssima, porque ainda não está fechada. Ainda estamos a limar arestas… todos os dias. Foi em julho do ano passado que demos o murro na mesa e, de lá para cá, não houve um só fim-de-semana descansado. De julho para cá a Nósnalinha e o 52 mudaram de instalações e coabitam num novo espaço. A Nósnalinha ganhou uma nova vida e o 52 uma nova oficina. O atelier (Nósnalinha) está mais nas minhas mãos e a oficina (52) mais nas mãos do Marcelo. Voltámos a ter companhia e todos somos designers e diyers. Continuamos a trabalhar muuuuuito, a tentar implementar a nossa visão de futuro. De trás trouxemos os nossos clientes e fornecedores mais queridos. Já temos novos,  muito giros. Já tirámos 5 dias de férias, há dias. Fomos a Nova Iorque e realizámos o sonho da nossa miúda.

E agora a lagrimita…
Neste percurso tivemos que tomar medidas e prescindir de muita coisa. Temos bem a noção de quem fez questão de nos ajudar – e ajudou, porque sozinhos jamais conseguiríamos tal feito! –, e temos bem em mente quem não deixou que o/a abandonássemos e se quis ajustar à nossa nova situação. Sabemos perfeitamente para com quem temos uma dívida para a vida.

Ah, e quanto a este blog, claro que é para continuar! Claro que aqui a Carlota continua a “inventar” coisas para fazer e para dar que fazer ao maridão. Apesar de termos estado mais ausentes, faz parte da nossa visão de futuro este blog sempre a bombar, sempre a motivar e a inspirar. Vão continuar os artigos de organização, de decoração, de dicas, de bricolage e – por que não? – uma ou outra reflexão mais profunda. 😉

Quanto a vocês, continuem connosco! Mostrem-nos que andam por aí e que continuam a gostar do que fazemos. Têm outras questões para nos colocar? Estejam à vontade! Hoje, no Instagram, vou criar aquela “coisa” das perguntas. Vão lá, que eu vou tratar de responder a tudo!

Beijos e abraços!

Carlota

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