Em espaços pequenos faz sentido colocar as secretárias viradas para a parede e, se a parede estiver “bem tratada” com objetos bonitos, imagens inspiradoras, quadros ou calendários, o que for que nos faça sentir bem, é a melhor solução para optimizar o espaço e dissimular cabos. Só que em espaços muito amplos, como é o caso no nosso novo atelier, trabalhar virados para a parede, com tudo a acontecer nas nossas costas, não me pareceu plausível e foi condição desde logo imposta – a secretária teria que ficar virada para o centro da sala. No entanto, esta opção tem o problema de expôr, a quem entra, toda uma parafernália de cabos e cabinhos imprescindíveis numa mesa de trabalho… ele é o do servidor, o do scanner, os dos discos (1, 2 e 3), dos computadores, da impressora, da extensão… fora aqueles que vão aparecendo em cima da mesa: o do telemóvel, o da máquina fotográfica, carregadores de bateria…

Sabem quando entramos num espaço, passeamos por ele, olhamos em volta e começamos a “ter visões”? Visualizamo-nos a cozinhar aqui, a relaxar ali, a dormir virados para acolá,… isso quer dizer que é esse! Esse é o espaço que procurávamos, o espaço que fala connosco, que nos diz “coisas” e que espera por nós. Foi isso que aconteceu com este armazém para onde mudámos o atelier. As primeiras fotografias que vimos não indicavam que fosse nada de especial. Ainda assim, fiz questão de o ver ao vivo e, realmente, não era nada de especial não fosse nós termos tido “aquela visão”. Foi imediato! Eu vi-me a trabalhar ali, soube exatamente a posição em que ficaria a secretária, o computador, a bancada de trabalho, os livros. Senti a decoração, a luz e as cores. Tinha defeitos, pois tinha – escadaria, vigas e pilares em amarelo claro, armários verdes, chão desgastado, paredes sujas e com salitre – mas, ainda assim, um charme especial dividido em dois andares, que nos convenceu.