Uma designer do atelier disse um dia que “nesta empresa até dá vontade de tirar os sapatos e trabalhar descalça”. Estávamos no espaço antigo, pavimento de soalho flutuante, e nunca mais me esqueci da sensação boa que é ouvir dizer que o nosso espaço é confortável (e limpo). De facto, por aqui, de vez em quando, tiramos os sapatos. Foi por isso, por sensações como essa, que resolvemos pintar o chão do novo espaço de branco, uma cor inusitada, luminosa e “limpa”! Estivemos muito perto de o deixar como estava, cinzento e com as marcas de uso. Mandar pintar um pavimento destes (industrial, com uma área grande, com uma tinta própria, de uma cor clara,…) iria ficar muito dispendioso… A não ser que tentássemos fazê-lo nós… mas será que conseguiríamos? Não seria preciso uma técnica especial para aplicação deste tipo de tintas? E depois? E se o branco não resultasse?…
Resolvemos pesquisar e informar-nos melhor e encontrámos esta com o seguinte descritivo: Argafloor, 100% acrílica aquosa – aquosa, adoramos! –, aspecto acetinado, para pavimentos em cimento ou betão, sujeitos a atrito médio, boa resistência ao exterior, excelente aplicabilidade, da Argatintas – marca portuguesa, ainda por cima! Bom, não necessita primário, aplica-se com rolo ou trincha, sem quaisquer dificuldades de aplicação… Perfeito!

Em espaços pequenos faz sentido colocar as secretárias viradas para a parede e, se a parede estiver “bem tratada” com objetos bonitos, imagens inspiradoras, quadros ou calendários, o que for que nos faça sentir bem, é a melhor solução para optimizar o espaço e dissimular cabos. Só que em espaços muito amplos, como é o caso no nosso novo atelier, trabalhar virados para a parede, com tudo a acontecer nas nossas costas, não me pareceu plausível e foi condição desde logo imposta – a secretária teria que ficar virada para o centro da sala. No entanto, esta opção tem o problema de expôr, a quem entra, toda uma parafernália de cabos e cabinhos imprescindíveis numa mesa de trabalho… ele é o do servidor, o do scanner, os dos discos (1, 2 e 3), dos computadores, da impressora, da extensão… fora aqueles que vão aparecendo em cima da mesa: o do telemóvel, o da máquina fotográfica, carregadores de bateria…

Sabem quando entramos num espaço, passeamos por ele, olhamos em volta e começamos a “ter visões”? Visualizamo-nos a cozinhar aqui, a relaxar ali, a dormir virados para acolá,… isso quer dizer que é esse! Esse é o espaço que procurávamos, o espaço que fala connosco, que nos diz “coisas” e que espera por nós. Foi isso que aconteceu com este armazém para onde mudámos o atelier. As primeiras fotografias que vimos não indicavam que fosse nada de especial. Ainda assim, fiz questão de o ver ao vivo e, realmente, não era nada de especial não fosse nós termos tido “aquela visão”. Foi imediato! Eu vi-me a trabalhar ali, soube exatamente a posição em que ficaria a secretária, o computador, a bancada de trabalho, os livros. Senti a decoração, a luz e as cores. Tinha defeitos, pois tinha – escadaria, vigas e pilares em amarelo claro, armários verdes, chão desgastado, paredes sujas e com salitre – mas, ainda assim, um charme especial dividido em dois andares, que nos convenceu.

A vida tem destas coisas: um dia estamos muito bem (ou não) a trabalhar no nosso cantinho, e no outro já estamos num virote, com todas as perspectivas alteradas, com mil mudanças e a cabeça a tentar acompanhar! Pois é, pessoal, há muita coisa nova a acontecer por aqui, neste verão. Tudo… menos férias. E foi mesmo assim, aconteceu de um dia para o outro… mesmo, mesmo, de um dia para o outro.